
a minha natureza masoquista/predatória me empurrando na merda mais um pouco. sumo, mudo o rumo. mas o barulho aumenta. eu provoco, tu provocas. um pouco, quase tudo. quero somente tuas horas vagas. uma inspiração para minha mesa. venhas como vens: borboletas na barriga e a cabeça a milhão. não sou porto-seguro. sou mar alto e aberto, não sirvo de abrigo para ninguém. eu venho, eu vou, eu sou esgoísta. sem querer enganar eu tento explicações coerentes e na minha falta de tato acabo por me perder nas palavras, nas ruas, na noite.
a bic preta sempre foi minha grande companheira na confusão, na falta de certeza, na inacabável solidão que escolhi. uma obsessão, uma compulsão, uma mini-muleta para uma alma aleijada. vens pesadelo e vais doente, deixas para tráz um vazio subseqüente. guardo palavras, músicas e agora um segredo e um cd selecionado que não quiz tocar no meu *paraibinha*.
chove, finalmente, e a água descarrega a tensão do ar e traz frescor e descanso. ligas, escorregadio, eu já sei. mas pelo menos respiras, depois do sufoco e da busca. imagino. apesar de me ter proibido sonhar demais o que não existe.
falas, falas, falas e falas simplesmente por que não queres dizer o que sentes e parecer piegas. gosto de estórias. não faço planos. nem sei se quero. quero aprender a desenhar. deveria aprender a escrever primeiro.
.metal heart.
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