Thursday, 31 January 2008

paris é só paris [p/ ana flávia]


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e paris é só paris.
mas paris é aquela pequena vadia linda de olhos brilhantes que te oferece um cigarro na garoa da noite e olha nos teus olhos com olhos borrados de paixão. paris é música, passos no paralelepípedo, passos na escuridão. cidade de luz e de lágrimas. de cafés intermináveis e de tédio, suspenso no ar. paris. o rio e o pôr-do-sol. a água que vem na sua direção se você conhece aquela quina de ilha pra sentar. quanta coisa esqueci lá, na reta do rio.
quantas vezes passei em frente ao pequeno hotel que um dia foi o hotel dos meus mestres todos eles, os meus mr. lees que eu tanto li. quantos cafés na place de clichy, lembrando anaïs. e esperando.
o jardim em todas as diferentes estações. as tulipas da primavera. o calor de odores insuportáveis no verão. as folhas caindo no cabelo, no dourado do outono. as árvores secas no inverno. a mudança de estação em um dia. o verde que desponta tão rápido na ponta de cada esqueleto que sovreviveu.
e todos os amores-perfeitos pretos espalhados no meu cemitério favorito, onde contei tudo na lombra da poeira. onde eu derramei a mim mesma em cada lápide com nome conhecido.
e foda-se o jim morrison.
paris é só paris amiga.
mas ai que saudade.



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.9eme arr.



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