ele disse que iria vê-la uma única vez por semana. na verdade ele disse: "você jura que eu vou te ver todo dia, né?" mas quinta-feira sem combinar e não esquecendo de fazer aquilo que querem eles arranjam um bom show como desculpa para se verem outra vez. no fim da noite ele oferece uma carona e ela diz: "você só vai dar uma volta na quadra" mas aceita. ela não resiste ao impulso de ficar com ele em lugar onde possam conversar sossegados. ela gosta de conversar com ele. ela fala. ele sempre tem algo a dizer. ela pergunta se ele quer subir e ele sorri. ela nunca mais vai esquecer este sorriso. ela foi usada e abusada e usa de seu cinismo e de sua aterrorizante intensidade para mantê-lo afastado. ele vê o outro lado. e juntos vêem o sol nascer.
ele vai embora no calor do dia que já começou e começou ocupado. ele dirige para casa no sol e no trânsito. e ele mora longe. ela vai dormir.
na sexta ele quer pegar a estrada. ela também mas não pode. ele é insistente mas ela não pode. ele vai ao bosque ver o pôr-do-sol e pensar. ela vai para o centro dos amigos onde gosta de estar. ela quer ir na francofolia que é uma mostra de cinema francês. a amiga dela que é dj vai tocar entre as sessões. ele aceita seu convite. está marcado as onze horas na casa dela que fica ao lado do cinema. ele traz um presente sem embrulho. ela adora presentes sem embrulho. é um uísque. a caixa por si só já é um presente. ela bebe um shot. o uísque é denso e a garrafa tem selo de cera. sobem a pé e parecem nunca parar de conversar. no cinema encontram com os amigos dela. a música francesa e a roupa das meninas faz lembrar outra época. ele parece sempre seguro de si e ela gosta disso. as vezes ele olha na sua direção e ela também o vê. assistem um filme e vão embora antes da última sessão. ela fica com dor-de-dente no meio da noite e ele acorda com ela a cada remédio e enxuga suas lágrimas com carinho. pela manhã do sábado ele a leva até o dentista. depois ela visita o pai que fica perto e é seu melhor amigo. ela bebe uma coca de garrafa de vidro com a boca torta e volta para casa. dia internacional da mulher e elas são todas bonitinhas mas ordinárias e um pouco desgraçadas e tocam um set divertido. depois um torpedo respondido. na mesma língua e boa noite.
domingo ela acorda ao som profético da música *aquarius* do filme hair que a vizinha ouve alto pela manhã e ele acorda com o pagode da irmã. pesadelos divididos. ela acha que vai resistir mas não consegue e vai ao seu encontro num restaurante ali perto. desta vez são os amigos dele e ela gosta do rumo que as conversas tomam e acaba por conhecer mais duas pessoas legais e uma cadelinha linda. o melhor bolo de chocolate que comeram não era o melhor mas foi o melhor. e isto foi só o começo.
Thursday, 3 April 2008
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2 comments:
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nada como a tranquilidade que a cumplicidade ha de prover.
ja amo ele tambem.
S2
eu sei que amo você minha pequena cúmplice eterna.
muito.
S2
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