Saturday, 2 February 2008

memories of 9/11

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assisti "torres gêmeas" na T.V.
bolckbuster besta feito totalmente com fins lucrativos para manipular uma massa histérica não-pensante a pensar ainda menos. uma data distorcida ao ponto de virar um destes romances tipo auto-ajuda com final feliz. [blérg]
mas algumas coisas puderam me fazer lembrar daquele maldito dia. daquela semana estranha. naquele país hostil.

tinha acabado de chegar. acabada de tantas despedidas. exessos químicos e falta de serotonina. e ainda tendo que trampar. o que no meu caso significa fazer de conta que todo dia é o melhor dia da sua vida. e eu? lá. verde. falando meu nome em outra língua para pseudo-juízes desconhecidos. ganhei um gato. comprei um vans. fumei maconha. uma hidropônica filhadaputa de forte. achei que fosse morrer. não morri. fui para as tendas. fiz um desfile. comi uma salada mediterrânea num restaurante grego em downtown um dia antes do atentado. tive intoxicação alimentar. mesmo assim fui ver as esculturas do erté na galeria da Prince st. andava escorada pelas paredes.

voltei para o hotel em midtown. o estômago no pé. a minha enxaqueca gritante e descobri que minha carteira tinha sido roubada. U$1.000. cash. burra eu. esperta a camareira. eu quiz mudar de hotel. chovia. as malas eram pesadas demais. o gato não podia molhar. e a maquiagem do desfile escorrendo negra. meio chuva. muita lágrima. odiei este dia. não tinha noção do que viria.

acordei atrasada no dia seguinte. meio xingando. meio chutando as coisas. puz meu vestido de dadinhos. meu sapato de vinil ana-bela. peguei o book. pus o gato na sacola e fui pegar o metrô. vi o último sumir no túnel. passaram mais de cinco minutos sem trem. subi para perguntar em quanto tempo viria o próximo. ninguém sabia. fui para a rua. meu celular tocou. era meu pai ligando do brasil. perguntou aonde eu estava e disse para eu voltar para o hotel. voltei. a tempo de ver a segunda torre cair.

estava hospedada na 95th st com a broadway. estava indo ao brooklin. ia pegar o trem C. o trem que eu vi sumir acabou em baixo dos escombros. ainda lembro das sirenes e do cheiro de enxofre e gente queimada. o que eu alienada em mim mesma tenho a ver com esta merda toda? e se fosse guerra? não poder ir. não poder vir. fui aos escombros ver a fumaça de perto. encontrei Carlinha. e a gente meio que fez festa uma para outra e fez comentários impertinentes sobre toda esta tragédia que não nos dizia respeito. voltei para o hotel. fumei aquela desgraça verde e esperei.


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