sempre gostei de escrever deitada na cama apoiada no cotovelo esquerdo com todas as minhas quinquilharias do lado do travesseiro. cinzeiro. isqueiro. cigarro não. celular. caderno. caneta. tudo aqui. mais o béck. o verdadeiro companheiro. o namorado mais atencioso. o cantor mais desafinado. o bicho mais bricalhão do mundo.
adoro diários. os meus e os dos outros. sou curiosa e egoísta. sei falar de mim. e sou só dúvidas. nunca aprendi então não sei. tenho que aprender mas tenho preguiça e sempre me jogo nestes pequenos romances de bolso que fodem minha cabeça já não muito boa. acho que faço de conta que sou outra. máscara fria e calculista. faço de conta que não mas penso e choro por qualquer coisa. uma fria que se derrete em lágrimas e uma calculista que fica casada por seis meses.
vai ver este negócio de ficar no bar e beber até cair proporcione o torpor e o problema necessários para escrever. não existe espaço aqui para ninguém. gosto dos vazios nesta cama. não me sinto mal por me sentir bem. sozinha. com estas coisas rodando na minha cabeça oca e estas coisas a minha volta eu nem lembro do seu rosto. acho que prefiro esquecer.
tenho tentado escrever. mesmo sem nada para dizer. sempre tentando pensar em tudo e pensando em você. seja lá quem você for neste momento. não quero ninguém para chamar de meu. gosto da montanha russa. quero queda-livre. ficar de ponta cabeça e vomitar no final.
quero mais. mas e a ressaca? é lua cheia e os gatos estão loucos. ouço barulhos. normalmente é só correria mas já quebraram meu cinzeiro favorito uma vez. e minha mulher de gesso. foda-se. eles não se quebram. têm pulgas e alergias a remédios. comem. muito. reclamam cada vez que eu sento ao computador mas apertam os olhinhos fazendo charme quando trocamos olhares.
silêncio. acho que cansaram. eu cansei.
Thursday, 21 February 2008
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