a vizinhança é animada por estas bandas de cá e ontem teve tiro e carro derrapando. depois silêncio. seguido por uma cover do bonde do tigrão que desceu a rua cantando animadíssima. aí tudo acalma de novo. mas todo motor tem o mesmo ronco rouco depois da meia-noite. e apesar do meu cheiro ser o mesmo o meu sobrenome não é. e vai ver eu sou tudo isso. e bem mais fria. só mais uma louca. nada de novo. paira no ar um certo tédio. no tic-tac vindo do relógio de parede na cozinha. no barulho das fitas de crepon amarradas na janela para ver o vento que muda de direção. na tv sem som. na minha perna que cola no couro do sofá. no calor da sala. na minha mão que escreve. na minha cabeça oca. na areia nos olhos. até acontecer alguma coisa nesta esquina que me tire desta catarse. mas nada acontece. e eu durmo antes da hora. um sono de papelão e acordo cedo demais.
o primeiro café traz a gastrite. o pão com requeijão ajuda um pouco. na minha cadeira favorita com um gato deitado ao meu pé fazendo charme. leio notícias repetidas.
e então amigos distantes acertam sem saber e deixam naquela caixa de correio inexistente
ALGO para o fim de semana.
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