ela perdeu a voz esta semana mas não antes de perder sonhos gastos que achou no fim do ano passado. perdeu a vontade na claridade do neon entre uma porta e outra e depois de ver o que não queria foi perdendo a certeza de seu orgulho. bom mesmo foi antes do estômago torcido quando estavam cada qual com seu doce na mão na quina do bar do jardim. falaram. e riram. eles frequentam lugares com músicas em volumes ensurdecedores e nem sempre de bom gosto.
de bom gosto ela achou os sets dos seus dj favoritos. depois de ensaiar uma dança acharam uma curva afastada com visão panorâmica e lá falaram de tudo um pouco. sempre temperando todos os assuntos com um humor cítrico/avinagrado típico. ingleses tropicais. beatniks fora de época. uma raça talvez. aventureiros. livres. e sua liberdade não está a venda.
o álcool e a droga e a outra droga desenterrando memórias de uma história superficial e água-com-açúcar que não poderia ter terminado de pior forma. náuseas enquanto espera para ir embora. ela está cansada mas não quer dormir. quer ir para casa falar mais. vão. falam. falar não ajuda a entender nada mas aperta pequenos laços que unem vidas similares. fortalecer estes laços faz com que ela não se sinta isolada e exilada.
elas se preparam para dormir. uma no calabouço escuro e acolhedor. a outra na sala rosa aproveitando a tv a cabo. ela abre o sofá-cama e põe lençóis limpinhos para imitar uma caminha para a amiga sentir-se em casa. ela prepara a caminha improvisada da mesma forma que já a preparou para si em tempos de crise. sem o peso da frustração e com o prazer de cuidar de quem se ama. se despedem e vão dormir. ela ainda ouve as risadas da amiga que não resiste a um bom woody allen. dorme um sono tranquilo e feliz. acorda para uma casa vazia e deitada na sala com os gatos espalhados assiste ao oscar.
*marion ganhou. paris é uma festa.*
Monday, 25 February 2008
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